Todos nós temos direito à invisibilidade. Ou deveríamos ter. Da mesma forma que somos capazes de falar, sorrir, caminhar ou abraçar, deveríamos ser capazes de desaparecer. Sem super poderes, artifícios de maior ou engenhos de 'ultimissima' geração. Apenas desaparecer, passar a ser invisíveis. E, para contornar tamanha falha da condição humana, temos de nos esforçar. Bastante.
Para conseguir ser invisível tenho que fazer com que o mundo gire para o outro lado. Há que contornar, manipular, dirigir, ameaçar, chantagear, ferir e matar. E mesmo assim, à última da hora, poderá sempre surgir alguém que se aproxime sorrateiramente por detrás de mim e, sem que dê por isso, me toque no ombro e me diga "cucu, estou aqui", expressando um ingénuo e genuíno sorriso que sou incapaz de, em toda a minha gloria sangrenta, imitar.
Ainda assim, por vezes, desaparecer torna-se possível. Consigo mergulhar na cidade e esconder-me no meio da multidão. Enterro a cabeça no meio dos ombros, olho de leve à minha volta, e solto um leve sorriso nos lábios à força de, por dentro, estar feliz e bem comigo próprio. E, durante os breves minutos em que alcanço esse feito sobrehumano, tudo está bem. Tenho esses momentos só de mim para mim, até a realidade me puxar de volta para ela e me forçar a encarar novamente tudo aquilo que deixei para trás.
Mas, mais do que eu, as palavras têm o direito a desaparecer quando querem. Pois elas, ao contrário de mim, são eternas. Viverão muitos mais anos do que eu. Um pouco à semelhança da memoria de alguém, que para sempre ficará nos corações de quem o viu morrer, as palavras são lançadas ao mundo para nunca mais o deixarem. E, no seu estatuto de imortais deusas da ideia, merecem um lugar digno da sua posição. E, se assim o desejarem, devem ser idolatradas em segredo, por um pequeno grupo de leais e discretos fieis, ao invés de se verem lançadas ao mundo para serem estripadas da sua essência por mil e um olhos vesgos, ramelosos, incolores.
Não me respeitem, empurrem-me para a ribalta e devorem-me a colheradas de gargalhadas e insultos. Deixem as palavras em paz. Elas viverão muito para além das gargalhadas, da vergonha, dos olhares, das tentativas e dos corpos.
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Parvoice do dia de hoje
Se Franz Kafka tivesse vivido no Portugal do século XXI, algo como "O Processo - edição de bolso" seria perfeitamente inconcebível.
Publicada por
Bacardi
às
00:31
Contém Bacardi, gelo, e umas gotas de frase do dia, letras, teorias da treta
Contém Bacardi, gelo, e umas gotas de frase do dia, letras, teorias da treta
Voltas...
Neste momento estou numa sala cheia de computadores e outras tantas coisas de informáticos, e pus-me a pensar. Há uns anos atrás, este seria um paraíso para mim.
Desde a minha 3ª classe (portanto, teria 9 anos) que mexo em computadores. Tive o meu primeiro PC com 10 anos, e desde essa altura sempre tive um computador em casa. Sempre ambicionei entrar para a universidade, em informática. Das 6 opções de curso/universidade que se pode escolher ao preencher os impressos para acesso ao ensino superior, 4 preenchi em informática. As outras 2 ficaram em branco...
Neste momento, encontro-me no meio de tudo aquilo com que sempre sonhei. Computadores, routers, switches, e todos aqueles "brinquedos" geeks que fazem um informático sorrir. E só me apetece desliga-los todos e sair daqui. De vez.
Queria poder ir até uma praia, sentar-me na areia, ver o mar e escrever. Queria fazer da minha vida as palavras que escrevo. Queria poder escrever o meu futuro, os meus dias, os meus sonhos. Não quero ser vidente ou controlar o meu destino. Quero apenas escrever o que quero viver.
Com papel e caneta.
Não com teclado e rato.
Desde a minha 3ª classe (portanto, teria 9 anos) que mexo em computadores. Tive o meu primeiro PC com 10 anos, e desde essa altura sempre tive um computador em casa. Sempre ambicionei entrar para a universidade, em informática. Das 6 opções de curso/universidade que se pode escolher ao preencher os impressos para acesso ao ensino superior, 4 preenchi em informática. As outras 2 ficaram em branco...
Neste momento, encontro-me no meio de tudo aquilo com que sempre sonhei. Computadores, routers, switches, e todos aqueles "brinquedos" geeks que fazem um informático sorrir. E só me apetece desliga-los todos e sair daqui. De vez.
Queria poder ir até uma praia, sentar-me na areia, ver o mar e escrever. Queria fazer da minha vida as palavras que escrevo. Queria poder escrever o meu futuro, os meus dias, os meus sonhos. Não quero ser vidente ou controlar o meu destino. Quero apenas escrever o que quero viver.
Com papel e caneta.
Não com teclado e rato.
Direitos
Há uns tempos pesquei estas 2 listas da internet, coisa que andava para fazer há algum tempo. Têm bastante importância para mim, e gostaria de as deixar aqui presentes, no meu blog.
Direitos do leitor:
O direito de não ler.
O direito de saltar páginas.
O direito de não acabar um livro.
O direito de reler.
O direito de ler não importa o quê.
O direito de amar os “heróis” dos romances.
O direito de ler não importa onde.
O direito de saltar de livro em livro.
O direito de ler em voz alta.
O direito de não falar do que se leu.
Direitos do escritor:
O direito de não escrever.
O direito de não mostrar o que escreveu.
O direito de não acabar um texto.
O direito de não reler os seus textos.
O direito de escrever não importa aonde.
O direito de saltar de texto em texto.
O direito de não falar do que escreveu.
Fica aberto espaço a sugestões para as completar, se quiserem.
Direitos do leitor:
O direito de não ler.
O direito de saltar páginas.
O direito de não acabar um livro.
O direito de reler.
O direito de ler não importa o quê.
O direito de amar os “heróis” dos romances.
O direito de ler não importa onde.
O direito de saltar de livro em livro.
O direito de ler em voz alta.
O direito de não falar do que se leu.
Direitos do escritor:
O direito de não escrever.
O direito de não mostrar o que escreveu.
O direito de não acabar um texto.
O direito de não reler os seus textos.
O direito de escrever não importa aonde.
O direito de saltar de texto em texto.
O direito de não falar do que escreveu.
Fica aberto espaço a sugestões para as completar, se quiserem.
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