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A minha ultima ultima carta

Amanhã vou de avião até Barcelona... se os pilotos da TAP decidirem trabalhar.
Em qualquer dos casos, como estes passaroucos mecanicos às vezes ficam sem pilhas, gostaria de deixar aqui patente o meu desejo:

Estão 60000 (sessenta mil) minis guardadas no rosana (serrado, monte da caparica) em meu nome. Em vez do funeral, por favor renuam-se lá, e divirtam-se ;)

Para mais informações sobre as condições desta promoção, miem por aí, e esperem que surja uma ouriça.
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Frase do dia

Será que Deus tem crises existenciais?
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Vamos lá dar a volta a isto...

Agradeço a Sra Manuela Ferreira Leite por ter patrocinado este ideal que é o de "vamos f&#$% a vida a toda a gente durante 6 meses". Sem ela, este conceito nunca teria nascido, e é a ela que dedico o eventual resultado (que, na minha opinião, só pode ser positivo) da implementação da seguinte proposta:

Vamos trancar numa cave escura e humida, durante 6 meses, todos os artistas e bandas que só fazem música com guitarras, baixos e baterias. Incluidas neste grupo deverão também estar aquelas bandas que, de vez em quando, convidam um amigo para as teclas, ou metem um sample de 2ª categoria para tentar alegrar o seu trabalho. Depois, vamos ver se o mundo se lembra de fazer música recorrendo a outros instrumentos que não estes três.

...enfim, foi só um desabafo. De volta ao trabalho, e a Piazzolla.
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... e 1 dia

Ontem lembrei-me da existência deste blog, e lembrei-me de por aqui qualquer coisa para mostrar ao mundo que ainda sou vivo. Acho que, na verdade, foi apenas para mostrar ao próprio blog que o seu autor ("dono" soa mal demais, afinal ele existe independente de mim) ainda se lembra da sua existência. Um pouco como aquela festa que fazemos ao gato ou ao cão, quando chegamos a casa depois de um dia de trabalho...

Na realidade, passaram 6 meses desde que aqui escrevi qualquer coisa, mas ontem algo me levou a despejar aqui meia dúzia de palavras em bruto, que me surgiram quando os meus dedos se encontraram ao teclado.

Confesso que não estava à espera de ainda ter pessoas a seguir este blog. E é para elas que vai este post, que inicialmente era para ser apenas um comentário meu ao "6 meses". Num dia, duas pessoas lembraram-se de dizer olá e um pouco mais. Talvez outras tenham apenas visto que algo se passou aqui, mas não algo de suficientemente interessante para comentarem.

A estas ultimas, não as censuro. Acima de tudo, voltem sempre. Talvez no futuro algo mais surga por aqui. Às primeiras, o meu obrigado por darem a este espaço algum do vosso tempo e atenção. No futuro, tentarei presentear os vossos dias com algo de agradável para lerem. Sejam disparates, coisas pseudo-profundas, etc. O que me apetecer. E, se me apetecer, não escreverei mais. Mas não por não gostar da vossa presença e companhia. Se nada mais escrever, será por achar que vocês merecem um pouco mais do que o que tenho para vos dar.

Obrigado e obrigado

Bacardi
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6 meses

E, porque não, retomar a escrita?

Seria banal dizer que muito mudou desde a ultima vez que aqui depositei meia duzia de palavras. Mas a verdade é que... muito mudou. Para melhor, e depois para pior, e agora não sei muito bem. Mas estou "vivo".

Será que estou vivo?
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Dia dos namorados

Feliz dia dos namorados...

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Diz-me onde moras... (by Miguel Esteves Cardoso)

Recebi este texto hoje, por email. Estive quase para o apagar antes de ler, dado que é extenso, mas acabei por o ler até ao fim. E valeu a pena. O texto é da autoria de
Miguel Esteves Cardoso, e decidi partilha-lo convosco:

"Um dos grandes problemas da nossa sociedade é o trauma da morada.
Por exemplo. Há uns anos, um grande amigo meu, que morava em Sete Rios, comprou um andar em Carnaxide.
Fica pertíssimo de Lisboa, é agradável, tem árvores e cafés. Só tinha um problema. Era em Carnaxide.
Nunca mais ninguém o viu.
Para quem vive em Lisboa, tinha emigrado para a Mauritânia!

Acontece o mesmo com todos os sítios acabados em -ide, como Carnide e
Moscavide. Rimam com Tide e com Pide e as pessoas não lhes ligam pevide.
Um palácio com sessenta quartos em Carnide é sempre mais traumático do que umas
águas-furtadas em Cascais. É a injustiça do endereço.

Está-se numa festa e as pessoas perguntam, por boa educação ou por curiosidade, onde é que vivemos.
O tamanho e a arquitectura da casa não interessam.
Mas morre imediatamente quem disser que mora em Massamá, Brandoa, Cumeada,
Agualva-Cacém, Abuxarda, Alformelos, Murtosa, Angeja...
ou em qualquer outro sítio que soe à toponímia de Angola.

Para não falar na Cova da Piedade, na Coina, no Fogueteiro e na Cruz de Pau. (...)
Ao ler os nomes de alguns sítios - Penedo, Magoito, Porrais, Venda das Raparigas,
compreende-se porque é que Portugal não está preparado para entrar na Europa.

De facto, com sítios chamados Finca Joelhos (concelho de Avis) e Deixa o Resto (Santiago do Cacém),
como é que a Europa nos vai querer integrar?
Compreende-se logo que o trauma de viver na Damaia ou na Reboleira não é nada comparado com certos nomes portugueses.
Imagine-se o impacte de dizer "Eu sou da Margalha" (Gavião) no meio de um jantar.
Veja-se a cena num chá dançante em que um rapaz pergunta delicadamente "E a menina de onde é?",
e a menina diz: "Eu sou da Fonte da Rata" (Espinho).
E suponhamos que, para aliviar, o senhor prossiga, perguntando "E onde mora, presentemente?",
Só para ouvir dizer que a senhora habita na Herdade da Chouriça (Estremoz).

É terrível. O que não será o choque psicológico da criança que acorda, logo depois do parto,
para verificar que acaba de nascer na localidade de Vergão Fundeiro?
Vergão Fundeiro, que fica no concelho de Proença-a-Nova, parece o nome de uma versão transmontana do Garganta Funda.
Aliás, que se pode dizer de um país que conta não com uma Vergadela (em Braga),
mas com duas, contando com a Vergadela de Santo Tirso?
Será ou não exagerado relatar a existência, no concelho de Arouca, de uma Vergadelas?
É evidente, na nossa cultura, que existe o trauma da "terra".
Ninguém é do Porto ou de Lisboa.

Toda a gente é de outra terra qualquer. Geralmente, como veremos, a nossa
terra tem um nome profundamente embaraçante, daqueles que fazem apetecer mentir.
Qualquer bilhete de identidade fica comprometido pela indicação de naturalidade que reze Fonte do Bebe e Vai-te (Oliveira do Bairro).

É absolutamente impossível explicar este acidente da natureza a amigos estrangeiros ("I am from the Fountain of Drink and Go Away...").
Apresente-se no aeroporto com o cartão de desembarque a denunciá-lo como sendo originário de Filha Boa.

Verá que não é bem atendido. (...) Não há limites. Há até um lugar chamado Cabrão, no concelho de Ponte de Lima !!!
Urge proceder à renomeação de todos estes apeadeiros.
Há que dar-lhes nomes civilizados e europeus, ou então parecidos com os nomes
dos restaurantes giraços, tipo : Não Sei, A Mousse é Caseira, Vai Mais um Rissol. (...)

Também deve ser difícil arranjar outro país onde se possa fazer um percurso que vá da Fome Aguda à Carne Assada (Sintra) passando pelo Corte Pão e Água (Mértola), sem passar por Poriço (Vila Verde),

e acabando a comprar rebuçados em Bombom do "Bogadouro"¹, (Amarante), depois de ter parado para fazer um chichi em Alçaperna (Lousã).

¹ - Bogadouro é o Mogadouro quando se está constipado!!! "
 
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